Suspeito invadiu duas casas no bairro Centro em intervalo de minutos. Cartão bancário encontrado com ele na abordagem ligou os dois crimes.
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Um caso gravíssimo de estupro só não terminou com mais duas vítimas graças à ação rápida de mãe e filha e, também, das forças de segurança de Itapema.
O homem preso nesta sexta-feira (11) estuprou uma mulher dentro da própria casa, no bairro Centro, e minutos depois pulou o muro de outra residência. Lá estavam uma mãe e a filha adolescente, as duas autistas. E foi ali que ele parou.
A mãe ouviu a janela ser arrombada. Pegou uma faca na cozinha, puxou a filha e se escondeu com ela ao lado da geladeira. Foi dali que viu o invasor dentro da própria casa, também armado com uma faca.
Ela gritou por socorro. O grito chegou na rua. O homem correu para os fundos e as duas conseguiram sair para a calçada, onde foram amparadas por vizinhos.
Guarda Municipal e Polícia Militar deslocaram em prioridade após o chamado de que havia um homem armado mantendo duas pessoas em risco dentro de uma casa. As equipes cercaram o imóvel e o encontraram nos fundos, sem saída. Ele apresentava estado de alteração psicomotora e foi reconhecido de imediato pelas vítimas.
Na busca pessoal, os agentes acharam com ele um celular, um carregador, cinco reais em dinheiro e um cartão do Banco Inter que não lhe pertencia.
Esse cartão entregou tudo.
Durante a condução à Delegacia de Polícia da Comarca de Itapema, Guarda Municipal e Polícia Militar cruzaram informações. Minutos antes, no mesmo bairro, aquele homem tinha subido pela janela aberta de um quarto em outra casa, onde uma mulher estava sozinha. Ele mandou que ela largasse o celular e, com a faca em punho, cometeu contra ela um crime sexual. Segundo o relato da vítima, ele repetia que estava “de mal com o diabo” e que queria matar alguém.
Em seguida, passou a exigir dinheiro. A mulher afirmou não ter valores em espécie e chegou a mostrar o saldo zerado da conta bancária. Foi desse imóvel que saiu o cartão encontrado no bolso do suspeito.
Quando ele se afastou para outro cômodo, a vítima correu para fora e bateu na porta de vizinhos pedindo socorro. Ela escapou sozinha, antes da chegada de qualquer viatura.
Quando pulou o segundo muro, o homem já havia cometido todos esses crimes. A mãe escondida atrás da geladeira com a filha não tinha como saber com quem estava lidando.
O Samu foi acionado para avaliar mãe e filha, em forte estado de nervosismo. As vítimas da primeira ocorrência também foram conduzidas à delegacia para registro e para corroborar a apuração.
O homem responde, em tese, por violação de domicílio, roubo e estupro. A tipificação final cabe à Polícia Civil.
Desde 2009, o crime de estupro no Brasil não exige conjunção carnal: a lei pune quem constrange alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir qualquer ato libidinoso. A pena varia de seis a dez anos, e o emprego de arma pode elevá-la em até dois terços.


