O homem preso por sequestrar e assassinar a motorista de aplicativo Silvana Nunes de Almeida de Souza, de 39 anos, em Videira, no Meio-Oeste de Santa Catarina, cumpria pena em regime aberto no momento do crime. Lucas Érico Livério, de 32 anos, havia sido condenado por um assalto à mão armada cometido em 2018, em Porto Belo, e estava em liberdade com autorização judicial para trabalhar como motorista.
A apuração exclusiva do Jornal Razão revela que a sentença foi proferida em outubro de 2024 pela 2ª Vara da Comarca de Porto Belo, fixando pena de quatro anos de reclusão em regime inicial aberto, com substituição da prisão por restrição de direitos. Meses depois, já cumprindo a pena em liberdade, Lucas obteve autorização da Justiça para se ausentar da comarca de Videira e exercer atividade como motorista, com apresentação de relatórios mensais de viagens.
Assalto que resultou na condenação
O crime que levou à condenação ocorreu em 28 de maio de 2018, quando Lucas entrou em uma loja de roupas em Porto Belo fingindo interesse em comprar uma jaqueta de couro. No caixa, ele anunciou o assalto para duas funcionárias, exibindo o que aparentava ser o cabo de uma arma na cintura.
Ele levou uma jaqueta e R$ 300 em dinheiro e obrigou as funcionárias a entrarem no banheiro antes de fugir. Dias depois, após a divulgação de imagens de câmeras de segurança nas redes sociais, Lucas se apresentou espontaneamente à polícia, confessou o crime e devolveu os objetos.
Na sentença, a Justiça afastou as qualificadoras de uso de arma de fogo e restrição de liberdade, entendendo que não havia provas suficientes. Com isso, a pena foi fixada no mínimo legal, em regime aberto.
Autorização judicial para trabalhar
Durante o cumprimento da pena, Lucas comparecia mensalmente à Justiça. Em julho de 2025, uma decisão autorizou que ele pudesse trabalhar como motorista fora da comarca de Videira, desde que apresentasse relatórios das atividades.
Menos de um ano depois, usando justamente essa condição, ele solicitou uma corrida por aplicativo e cometeu o crime que chocou a região.
Histórico de violência
Além da condenação por roubo, Lucas também possui registro policial por violência doméstica. Em 2019, ele foi apontado como autor de lesão corporal contra uma mulher em Santo Amaro da Imperatriz.
A investigação também identificou que ele era proprietário de uma microempresa de serralheria em Tijucas, atualmente com situação cadastral inapta.
Sequestro, extorsão e assassinato
O crime aconteceu na tarde de segunda-feira (24), quando Lucas embarcou no Chevrolet Onix de Silvana, em Videira, com destino a Fraiburgo. Durante o trajeto, ele rendeu a motorista, a manteve refém e exigiu dinheiro da família.
Silvana foi obrigada a ligar para o marido pedindo R$ 5 mil. O homem transferiu R$ 2 mil via Pix, e outros R$ 1,5 mil que estavam na conta da vítima também foram movimentados, totalizando R$ 3,5 mil enviados a uma conta no Rio Grande do Sul.
Mesmo após receber o dinheiro, Lucas matou a motorista a tiros e ocultou o corpo em uma área de mata às margens da SC-355, entre Fraiburgo e Lebon Régis. O carro foi abandonado em Videira e o suspeito acabou localizado na BR-282, em Joaçaba, onde confessou o crime e indicou o local do corpo.
Prisão preventiva
Lucas foi autuado por extorsão mediante sequestro com resultado morte e ocultação de cadáver. Em audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (27), a prisão em flagrante foi convertida em preventiva.
O caso de Silvana é o segundo assassinato de motorista de aplicativo registrado em Santa Catarina em menos de 24 horas, aumentando a preocupação com a segurança dos profissionais que atuam no transporte por aplicativo.
fonte oficial: Jornal Razão.


