O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, natural de Timbó (SC), poderá ser investigado pela Polícia Federal após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração faz parte do inquérito que investiga um suposto esquema de venda de sentenças no âmbito do STJ.
Marco Buzzi, de 68 anos, ocupa uma cadeira na Corte desde setembro de 2011 e está afastado das funções desde fevereiro deste ano, quando passou a responder a denúncias de importunação e assédio sexual feitas por duas mulheres.
A autorização do STF foi concedida após a Polícia Federal informar que, durante a Operação Sisamnes, foram encontradas referências a familiares do ministro em documentos e materiais apreendidos. Agora, os investigadores irão analisar o conteúdo para verificar se existem elementos que indiquem eventual participação do magistrado ou de seus familiares nas irregularidades investigadas.
Em nota, a defesa de Marco Buzzi afirmou que o ministro não possui qualquer relação com atividades desenvolvidas por familiares e ressaltou que ele se declara impedido de atuar em processos nos quais parentes tenham interesse. A defesa também informou que o magistrado desconhece os detalhes da investigação e afirmou que ele não figura como investigado.
A Operação Sisamnes apura um suposto esquema criminoso que teria atuado entre 2019 e 2023 para influenciar decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo seria responsável por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio e violação de sigilo profissional.
Até o momento, nove pessoas, entre ex-servidores e intermediários, já foram denunciadas pela PGR ao Supremo Tribunal Federal.
Trajetória
Antes de chegar ao STJ, Marco Buzzi construiu carreira na magistratura catarinense. Foi desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), presidiu a Terceira Câmara de Direito Comercial, comandou a Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) e assumiu o cargo de ministro do STJ em 2011.
Além da investigação relacionada à Operação Sisamnes, o magistrado permanece afastado do cargo em razão de denúncias de importunação e assédio sexual apresentadas neste ano, casos que seguem sendo apurados pelas autoridades competentes.


