Dez pessoas assinaram termo circunstanciado; apontado como dono do galpão, Cleucir Meurer fugiu para o mato quando a polícia chegou
A Polícia Militar fechou uma rinha de galos no interior de Massaranduba, no Norte de Santa Catarina, na tarde de sábado (26). No galpão de uma casa na Estrada Alto Guarani-Açu, perto da Cachoeira Roda d’Água, os policiais encontraram 68 galos, uma ave da espécie trinca-ferro, 180 esporas, 40 bicos de metal e R$ 12.528 em dinheiro vivo. Dez pessoas assinaram termo circunstanciado por maus-tratos a animais e jogo de azar.
A PMSC foi até o endereço depois que um morador da região denunciou barulho de galos brigando e gritaria vinda do terreno. Havia vários carros estacionados e muita gente no galpão. Assim que a viatura apareceu, parte do público correu para uma área de mata nos fundos da propriedade. Catorze pessoas foram abordadas e outras equipes da PMSC da região, entre elas a ROCAM, vieram reforçar a ação e revistar os veículos.
Um dos que fugiram para o mato foi Cleucir Meurer, apontado por todos os abordados como dono do local e dos galos. Segundo os participantes, a entrada custava R$ 50, e quem quisesse almoçar pagava mais: houve quem dissesse ter pago R$ 70, R$ 110 e até R$ 160 com a refeição incluída.
O galpão tinha paredes inteiras de baias de madeira, com bebedouros coloridos pendurados e portas numeradas a giz. “Todas as portas fechadas tem galo”, diz um dos policiais no vídeo gravado durante a vistoria, enquanto abre uma das baias e mostra a ave lá dentro. Só em um dos corredores foram contados 28 galos.
Em cima de uma mesa estavam os apetrechos da rinha: copos cheios de esporas, 159 lacres amarelos usados para identificar as aves, uma máquina de cartão, um celular e cerca de 20 medicamentos que, segundo o que os policiais ouviram no local, serviam para tratar os galos feridos nas brigas. Dois cadernos traziam listas de nomes com anotações de entrada, cadeira, lanche, almoço e refrigerante, além de registros de apostas.
O dinheiro apreendido estava espalhado entre os apostadores. As maiores quantias estavam com Virson Vargas (R$ 3.675), Oscar Luiz Lópes (R$ 3.500) e Jean Carlo Vargas (R$ 3.334). Leocir Borba dos Santos levava R$ 977, e outros R$ 99 foram encontrados soltos no local. Oscar contou ter levado de carro dois homens de Tijucas para assistir às brigas.
Assinaram termo circunstanciado nove homens e uma mulher: Adeir Cabral de Oliveira, Ana Letícia Leal de Oliveira, Erivelton da Silva Lima, Francisco de Assis Araujo Pereira, Jean Carlo Vargas, Jeferson Batista dos Santos, Leocir Borba dos Santos, Marcio Jean Fürst, Oscar Luiz Lópes e Virson Vargas. Francisco e Marcio Jean admitiram já ter se envolvido em ocorrência parecida. Todos foram liberados e vão responder na Comarca de Guaramirim quando forem intimados.
Os 68 galos e o trinca-ferro não saíram do lugar: os próprios participantes se ofereceram para ficar como fiéis depositários das aves. Eles assinaram o compromisso de cuidar dos animais e apresentá-los sempre que a Justiça mandar.
Um menino de 11 anos estava na rinha, acompanhado do pai. O Conselho Tutelar de Massaranduba foi avisado e deve acompanhar o caso nos próximos dias.
Segundo a denúncia que levou a PM até o galpão, o dono do imóvel já teria sido preso duas vezes por organizar rinhas. Massaranduba também já teve outra rinha grande desmontada: em julho de 2020, a polícia encerrou um evento com cerca de 100 pessoas e 80 galos às margens da SC-108.
O caso agora segue para a Justiça em Guaramirim. Cleucir Meurer, apontado como responsável pela rinha, não havia sido encontrado até o fim da ação da PMSC.


