Réu jogou cerca de 15 litros de gasolina na ex-companheira no caixa de uma conveniência do Itoupava Norte, tentou atear fogo e a manteve refém até a PMSC resgatá-la, em maio de 2025
O Tribunal do Júri de Blumenau condenou nesta quarta-feira (23) Lindinaldo da Silva Ferreira, de 40 anos, natural de São Paulo, a 20 anos, 5 meses e 17 dias de prisão por tentar matar a ex-companheira queimada dentro do posto de combustíveis onde ela trabalhava, no bairro Itoupava Norte. Além da pena, ele terá de pagar R$ 20 mil de indenização por danos morais à vítima.
O crime aconteceu na manhã de domingo, 11 de maio de 2025. Lindinaldo chegou de moto ao posto, na Rua 2 de Setembro, entrou na loja de conveniência com um balde e jogou cerca de 15 litros de gasolina na ex, que estava trabalhando no caixa. Segundo a Polícia Militar, o combustível escorria do cabelo dela.
Em seguida, ele tentou atear fogo. Foram mais de 20 tentativas de riscar fósforos, e o isqueiro que ele levava também falhou. Sem conseguir acender, arrastou a mulher para os fundos da conveniência e passou a mantê-la refém.
O vídeo obtido com exclusividade pelo Jornal Razão reúne imagens das câmeras de segurança do estabelecimento e da câmera corporal dos policiais. Ele mostra o homem segurando a mulher no depósito, a negociação com os PMs e o momento em que ela é resgatada.
Os policiais militares chegaram em poucos minutos, depois que o botão do pânico do aplicativo da PMSC foi acionado. Um PM que chegou primeiro já tentou dominar o agressor, sem sucesso. A equipe então passou a negociar cara a cara com um homem armado, diante de uma mulher coberta de gasolina, para conseguir a libertação dela e a rendição dele.
Num momento de distração de Lindinaldo, a mulher conseguiu se soltar e correu em direção à porta. Os policiais avançaram na hora e dominaram o homem, que resistiu e precisou ser contido à força. Na busca pessoal, encontraram uma faca presa na cintura dele.
A vítima estava completamente molhada de gasolina, em forte abalo emocional, com dificuldade para respirar e ardência na pele. O SAMU atendeu a mulher e também o agressor no local.
Para a polícia, o ataque foi planejado. O balde usado para carregar o combustível foi encontrado no posto, e funcionários confirmaram que a gasolina não tinha sido comprada ali, sinal de que ele já chegou preparado. A Polícia Civil apurou que o motivo foi a recusa da mulher em retomar o relacionamento.
Lindinaldo foi preso em flagrante naquela manhã e ficou preso durante todo o processo. Como a pena passa de oito anos, a lei determina que ele comece a cumpri-la em regime fechado.
A atuação dos policiais que salvaram a mulher é alvo de uma sindicância de ato de bravura aberta pela PMSC, procedimento que reconhece ações de risco excepcional no serviço.
A defesa, feita pelo advogado criminalista Jeremias Felsky, ainda pode recorrer da decisão.


