segunda-feira,

21/09/2026

Santa Catarina

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Santa Catarina

Cidade catarinense que viveu a maior tragédia de sua história volta a ser castigada por temporal

Perdeu tudo na pandemia, morou na rua e hoje vive da venda de morango cravejado nos semáforos de BC e Itajaí

Temporal provoca alagamentos em Timbé do Sul, no Extremo Sul de SC, cidade onde a enxurrada de 1995 matou 16 pessoas

Timbé do Sul, no Extremo Sul de Santa Catarina, voltou a ser castigada pela água nesta segunda-feira (21). O temporal que atinge a região desde a madrugada provocou alagamentos na cidade, e vídeos gravados por moradores mostram o rio correndo cheio, barrento e com força, enquanto a água invade quintais e cobre ruas e terrenos ao pé da serra.

Nas imagens, a correnteza passa por cima de pátios e gramados, cerca casas e avança sobre a rua, com a neblina encobrindo os morros ao fundo. A chuva forte começou ainda de manhã e se manteve ao longo do dia em toda a faixa entre o Litoral Sul e a Serra catarinense.

A cidade entrou duas vezes nos avisos da Defesa Civil de Santa Catarina nesta segunda. Às 8h55, Timbé do Sul estava no alerta de tempestade severa, com risco muito alto, junto de Bom Jardim da Serra, Forquilhinha, Meleiro, Morro Grande, Nova Veneza e Siderópolis, com rajadas de vento, granizo, raios, alagamentos e risco de enxurradas. No início da tarde, voltou a aparecer no aviso de atenção para temporais que cobre 33 cidades do Sul, válido até as 14h59.

ASSISTA AO VÍDEO

A tragédia de 1995

A chuva forte mexe com a memória de Timbé do Sul. Em 23 de dezembro de 1995, cerca de dois mil milímetros de chuva caíram em poucas horas sobre a região. A água que descia dos morros formou pequenas represas naturais que, ao se romperem, desceram com violência pelo leito do rio, levando casas, plantações, animais e pessoas.

A enxurrada matou 16 pessoas, e dois corpos nunca foram encontrados. Segundo estudos do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), baseados em marcas ainda visíveis no local, a água chegou a atingir entre 8 e 12 metros de altura. A comunidade de Figueira Bordignon, a cerca de 9 quilômetros do Centro, foi a mais devastada e ainda guarda construções abandonadas.

O medo voltou em março de 2023. Depois de duas horas de chuvarada, o nível dos rios subiu mais de cinco metros e transbordou, dez pontes foram danificadas e vários moradores ficaram ilhados. A Serra da Rocinha, na BR-285, também foi interditada por deslizamentos. Rocinha, Vila Marchesini, Figueira Bordignon e Molha Coco foram as localidades mais atingidas naquela ocasião.

Sul de SC sob temporal

Timbé do Sul não está sozinha. Em Criciúma, o Rio Criciúma saiu da calha e bombeiros usaram botes para resgatar famílias ilhadas no bairro Paraíso, onde uma escola foi esvaziada e o posto de saúde precisou ser fechado. Em Araranguá, a prefeitura suspendeu as aulas da rede municipal nesta tarde por causa do pico do temporal, previsto entre 15h e 17h.

O Inmet mantém aviso de grande perigo para tempestade em todo o estado até as 23h59, com previsão de chuva acima de 100 milímetros no dia, ventos de mais de 100 km/h e granizo. Segundo a Defesa Civil, as tempestades devem seguir até a madrugada e a manhã de terça-feira (22). Depois, uma massa de ar frio e seco entra no estado e firma o tempo, com mínimas perto de 0 °C nos pontos mais altos na quarta-feira (23).

A orientação é não atravessar ruas, pontes ou pontilhões cobertos pela água, ficar longe das margens de rios e córregos e acompanhar a elevação do nível da água. Em regiões de encosta, qualquer sinal de movimentação de terra deve ser comunicado imediatamente. Em caso de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Fonte Original | Jornal Razão