O celular pode ser um aliado para os adultos no dia a dia, mas na primeira infância brincar, conversar, ler e explorar o mundo fora das telas continuam sendo essenciais. Foi nessa perspectiva que o Centro de Inovação e Tecnologia Educacional de São José (Citesj), unidade da Secretaria Municipal de Educação, realizou a conversa “Uso de Telas na Primeira Infância” para educadores e familiares das crianças do Centro de Educação Infantil (CEI) Professora Vera Lúcia Medeiros, localizado no bairro Forquilhas.
A atividade foi conduzida pela analista de sistemas, formadora e diretora administrativa do Citesj, Luciana Schmitz, que apresentou recomendações para o uso de telas em diferentes faixas etárias e falou sobre os cuidados necessários para preservar momentos importantes do desenvolvimento infantil. A diretora do CEI, Josiana Nascimento, também chamou a atenção para o fato de que o uso de telas não se restringe ao celular, mas inclui dispositivos como televisão e tablet.
“Tanto a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) quanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam evitar telas para crianças de até 2 anos e limitar o uso a até uma hora por dia para crianças de 2 a 5 anos, sempre com acompanhamento de um adulto. Os primeiros anos de vida são importantes para o desenvolvimento da linguagem, da coordenação motora e da interação social. Por isso, brincar, movimentar-se, conversar e ter contato com outras pessoas são experiências fundamentais para a criança”, explicou Luciana.
A palestra também abordou possíveis impactos do uso excessivo de dispositivos, como prejuízos ao sono, dificuldade de concentração e problemas na regulação das emoções. A orientação foi para que o uso da tecnologia faça parte da rotina de forma equilibrada, conforme as recomendações de tempo para as faixas etárias, sem substituir as experiências presenciais.
ECA Digital
Outro assunto apresentado foi o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), instituído pela Lei nº 15.211/2025. A legislação estabelece medidas para ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e define responsabilidades para as plataformas e responsáveis.
Entre os pontos discutidos estão mecanismos de proteção relacionados à idade dos usuários, publicidade direcionada, configurações de privacidade e proteção da imagem das crianças na internet.
A participação dos adultos foi destacada como parte importante desse processo. Além de acompanhar o acesso dos filhos aos dispositivos, as famílias também podem estabelecer limites para o uso e cuidar da exposição de informações e imagens das crianças nas redes sociais.
Alternativas práticas para as famílias
Para levar o tema para a rotina das famílias, o Citesj apresentou sugestões simples que podem ajudar a reduzir o tempo diante das telas. Entre elas estão evitar celulares e outros dispositivos durante as refeições e na hora que antecede o sono, incentivar o brincar livre e atividades como desenho, pintura e leitura e reservar momentos para jogos, passeios e convivência em família.
O exemplo dos adultos também foi apontado como importante. Ao reduzir o próprio uso do celular quando estão com as crianças, os responsáveis ajudam a criar um ambiente em que a atenção e a interação estejam voltadas para as relações e as experiências do cotidiano.
“A imagem e o tempo do seu filho pertencem a ele, não às redes sociais. Quando preservamos a infância no mundo real, garantimos o direito de a criança escolher quem quer ser no futuro”, destacou Luciana.
A atividade integra as ações do Citesj voltadas ao uso consciente da tecnologia e à orientação da comunidade escolar sobre os desafios e possibilidades do ambiente digital na infância. “A tecnologia faz parte da vida, mas precisamos discutir como ela é utilizada e quais são os limites adequados para cada idade. Orientar as famílias e os profissionais da rede faz parte do nosso compromisso com o desenvolvimento integral das crianças”, ressaltou a secretária de Educação, Cláudia Macário.
Para a gestora do CEI, a conversa foi muito produtiva e reflexiva. “Trazer essa discussão para dentro do CEI foi uma oportunidade de orientar, escutar e dialogar com as famílias, pensando em estratégias que também possam ser aplicadas na rotina de casa. Cuidar da infância também significa olhar com atenção para o lugar que as telas ocupam na vida das crianças. Quando família e creche caminham juntas, transformamos informações em diálogo e diálogo em possibilidades para promover o desenvolvimento, o bem-estar e as aprendizagens das crianças”, citou Josiana Nascimento.













Fonte Original | Educação Notícias – Prefeitura Municipal De São José


