Foi um servente de pedreiro que ele mesmo havia contratado e dispensado dias antes quem orquestrou o sequestro e a morte do empresário Alfredo F. S., na manhã desta segunda-feira (11) em Balneário Camboriú. A informação foi apurada com exclusividade pelo Jornal Razão.
Conforme a apuração, Werich Mateus Silva Trindade, de 26 anos, natural de Belém, no Pará, voltou ao condomínio onde o patrão morava três dias depois de ser dispensado e o aguardou na porta da garagem. Junto com ele estava Erick Kaliel, também paraense, que confessou a participação no homicídio depois de ser preso em Blumenau. Leia aqui como ocorreu a prisão dos dois suspeitos.
Werich foi contratado pelo empresário recentemente, por meio de um grupo de WhatsApp usado por serventes de pedreiro na região. Trabalhou pouco tempo na empresa e, na sexta-feira (8), foi dispensado. Segundo a Polícia Militar de Santa Catarina, não há registro de desentendimento entre ele e o patrão que justificasse a brutalidade do crime cometido três dias depois.
Por volta das 6h30 desta segunda-feira, Alfredo abriu o portão da garagem do prédio onde mora, no bairro Barra, para sair para o trabalho. Foi nesse exato momento que dois homens chegaram de bicicleta, exatamente como mostram as câmeras de monitoramento do prédio obtidas com exclusividade pelo Jornal Razão.
Nas imagens, um dos suspeitos aparece segurando o empresário por trás, aplicando um golpe e colocando a vítima sentada dentro da própria caminhonete da empresa. Em seguida, o homem retira uma corda da carroceria do veículo e leva Alfredo até o banco traseiro de um segundo carro, que deixa o condomínio com o empresário dentro.
Foi uma funcionária da construtora responsável pelo prédio quem percebeu a movimentação estranha, depois que o sócio de Alfredo ligou avisando que ele não atendia o celular e havia sumido do rastreador da empresa. Ao verificar as câmeras, ela acionou imediatamente a Polícia Militar.
Enquanto a guarnição apurava o sequestro, o sócio do empresário conferiu o extrato bancário da conta da empresa. A constatação foi imediata: duas transferências suspeitas haviam sido feitas ainda na manhã do crime, ambas destinadas a Werich. Foi nesse momento que o ex-funcionário virou o principal suspeito.
A confirmação veio em seguida: uma das bicicletas deixadas pelos criminosos na garagem do condomínio foi reconhecida pela PMSC como sendo de uso de Werich.
Por volta das 11h35, um vendedor ambulante que havia parado o carro próximo a uma ponte no bairro Arraial do Ouro, em Gaspar, desceu até um ribeirão para fazer necessidades fisiológicas. Foi quando deparou-se com um corpo caído em meio à vegetação, em uma pequena ribanceira antes do rio. Veja aqui a cobertura inicial do crime.
A vítima estava com os pés amarrados, ferimento na cabeça causado por disparo de arma de fogo e grande quantidade de sangue ao redor, conforme constatou a perita da Polícia Científica que atendeu a ocorrência. As vestimentas eram idênticas às usadas por Alfredo no momento em que foi levado do condomínio. No local também foi localizada uma corda com características semelhantes à que havia sido retirada do veículo da empresa pelo suspeito durante o sequestro.
A confirmação da identidade foi feita por familiares após o repasse das características.
Com o nome de Werich já no centro das investigações, a Agência de Inteligência da Polícia Militar de Santa Catarina passou a monitorar seus passos. Ainda no fim da tarde desta segunda-feira, ele embarcou no Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder, em Navegantes, no Litoral Norte Catarinense, em um voo com destino a Campinas, no interior de São Paulo. O destino final era o Pará, estado onde nasceu.
A movimentação foi acompanhada em tempo real. Em uma ação articulada entre a inteligência da PMSC e a Polícia Federal, agentes federais já aguardavam o suspeito no desembarque do voo. Werich foi preso assim que pisou no solo paulista, sem qualquer reação.
Enquanto Werich tentava fugir do estado, Erick Kaliel, o segundo homem que aparece no vídeo do sequestro, foi localizado e preso em Blumenau, no Vale do Itajaí. Durante a abordagem policial, ele confessou a participação no homicídio. Assim como Werich, Erick é natural de Belém, no Pará.
O caso segue em investigação pela Polícia Civil, com apoio da Agência de Inteligência da Polícia Militar de Santa Catarina e da Polícia Federal. As autoridades agora trabalham para esclarecer a motivação do crime, especialmente a frieza com que o ex-funcionário planejou o ataque, retornou armado e com um comparsa ao endereço do patrão e o executou horas depois com um tiro na cabeça.
Fonte Original | Segurança – Jornal Razão